sexta-feira, 31 de julho de 2009

Alice não me escreva




Alice no país das maravilhas

E aí tudo bem? Como você se sente agora? É falei com você mesmo, não se faça de desentendido! Você que agora segura esse jornal e que possivelmente irá ler este texto até o final, se não ler não tem nenhum problema. Você deve estar perguntando como te conheço e como me dirijo a você sem nem ao menos me apresentar, antes que você me chame de pentelho ou algo parecido deixe eu fazer as honras, me chamo Paulo e tenho uma idade que prefiro não falar, pois ou você vai se espantar me chamando de velho ou achará que eu sou um fedelho, tudo depende do tempo escrito em seus olhos. Eu não sou um cara estranho, só não curto muito ficar por aí cantando hinos em meu nome, na verdade sou aquele tipo de cara que anda por aí buscando alguma coisa, sempre buscando, nunca achando, mas até que é legal. E você como é? O que gosta de fazer? Será que você é um daqueles leoninos extravagantes que chegam com faróis em suas cabeças ou é do tipo tímido que chega, sai sem ninguém reparar? Sei lá pela sua cara de intrigado deve está se perguntando, como deve ser você? Hum, deixando um pouco de lado essas perguntas estranhas, como se isso aqui fosse um interrogatório, volto a mim, é me chamo Paulo lembra? Aquele cara que invadiu seu espaço sem pedir licença, mas até que estou começando a gostar de você, conversando comigo, saca? Me amarro em ir ao Centro Histórico, ficar por lá dando umas voltas por aquelas esquinas, becos e ladrilhos tão alvejados pelo óleo dos carros e das pessoas, que ali passam. Sigo sempre com um belo copo de vinho e um velho Hollywood no bico, ah tudo bem sei que hoje nesses tempos caretas pega mal falar de cigarro, mas peraí é proibido roubar, mas nunca falta estória lá pras bandas do Planalto Central, mas tudo bem. Ei você deixa o vizinho de mão e presta atenção no que estou falando, não aprendeu que quando alguém fala o outro escuta, putz pareci um velho falando. Onde estava? Ah, estava lhe contando sobre o Centro Histórico, continuando... lá rola de tudo, mais tudo mesmo. Certa vez vi uns hippies sentados conversando com uns vereadores que estavam atrás de conselhos para administrar a cidade, loucura geral, só lá mesmo. Ah já estou me cansando de escrever e aí conte algo de você, o que você fez hoje? Tem algum sonho que nunca realizou e, mas pretende um dia realizar? Não quer falar? Tudo bem deixe então eu continuar, eu tenho vários sonhos, mais vários mesmos, saca? Um dos maiores é comprar um carro colocar uma turma dentro e sair viajando por aí. Quer ir junto? Ah sei você está cheio de compromissos, tudo bem. Mas se quiser viajar qualquer dia pode me procurar, viu! É só me procurar onde está acontecendo algo, quando não achar nada, que tal fazer acontecer? Sei que dar muito trabalho fazer acontecer, mas deixar viver sem algo acontecer, é como se você morasse numa cova, e olhe bem, a cada dia ela fica menos rasa. Cara já está na hora de eu ir, qualquer dia apareço para bater outro papo com você, espero que não me encontre.

Antônio Vieira


O escritor e o Mestre

Muitas vezes as flores de uma manhã não são coloridas e nem trazem boas notícias, nessa quarta que se passou dia 07 de abril de 2009, a corte da cultura maranhense perdeu um de seus maiores representantes aos 88 anos o grande poeta e músico Antônio Vieira. Arrependo-me de nunca ter ido á um show desse grande mestre, mas suas composições sempre fizeram parte da minha vida, lembro- me como se fosse hoje de minha mãe lá nos tempos de minha meninice assobiando e recitando os versos de composições do mestre, uma delas é Cocada com seus lindos versos “ai meu deus se eu pudesse eu abria um buraco, metia os pés dentro criava raiz”. Tenho muitas recordações que se fossem para ser escritas dariam letras de sobra para uma bíblia nordestina, em que o predestinado seria o sempre Religioso Antônio Vieira com os anjos tocando suas músicas em suas harpas sagradas. Lembro de certa vez eu na minha inocência quase de criança quando ia ao centro histórico passava por uma banca de revistas onde o Velho Menino ficava as noites conversando com o dono dela que parecia ser um grande amigo seu. Esse ritual foi-se estendendo por vários dias e quando criava coragem para falar com ele, meu respeito pela arte maranhense falava mais alto, parecia até uma ofensa um simples aspirante a letras como eu querer falar com ele. Um dia como se estivesse inspirado por Apolo, finalmente criei coragem para quase que recitar palavras, foram poucos minutos, mas foram essenciais para continuação de meus sonhos e suas últimas palavras naquela noite me fazem prosseguir até hoje por esse caminho de pedras: “Quem não quer se molhar, não quer lutar por seus sonhos”.

Antônio Vieira sempre foi um grande poeta sua primeira composição foi feita os 16 anos e se chamava “Mulata Bonita” que é considerada moderna para época de sua criação. Grande Parte de suas composições se fizeram pelas experiências de sua vida desde sua infância passada próximo ao Mercado Central que sempre foi local de grandes produções sociais e culturais, ali vendo o vai e vem de comerciantes e pessoas vieram suas inspirações. Suas canções são cheias de imagens do cotidiano humilde da pobreza maranhense de onde o velho menino sempre esteve, mas a pobreza de posses e não a de espírito, pois o mestre mesmo em seus 80 e poucos anos tinha a alma do menino que corria pelas ruas do centro histórico. Apesar de compor desde novo sua obra só veio ser reconhecida na velhice, seu primeiro Cd foi feito aos 70 anos. Antônio Vieira chegou a ter uma música em uma novela que o fez ser reconhecido nacionalmente. Saudado por músicos de renome como Zeca Baleiro que por sinal foi produtor e idealizador de seu disco "O Samba é Bom" que contou com participações de Elza Soares, Sivuca e Rita Ribeiro. O mestre sempre estará no coração e na lembrança de quem assim como ele sempre respeitou e celebrou a Música Maranhense.